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junho 24, 2009

Depois queixam-se da xenofobia

A teologia é tão sólida como a gramática...coitado do Padre António Vieira.

"Iod. O adversário lançou a mão sobre todos os seus tesouros. E ela viu os pagãos penetrarem em seu santuário, aqueles dos quais dissestes que não entrariam em vossa assembleia." Livro das Lamentações, 1:10.

maio 13, 2009

Qual é que é o tom?

Numa ensolarada tarde, um grupo de jovens (não confundir, por favor, com Escuteiros ou aglomerados de cariz paroquiano) encontrava-se a demonstrar as suas destrezas musicais a la intervalo de liceu, sentado nos confortáveis bancos de uma praça pública. Sorrateiramente, aproximou-se um camarada que logo pegou na guitarra e, dedilhando as suas cordas, inquiriu: "-Qual é que é o tom?" Silêncio gélido...O senhor repete o acorde e volta a perguntar: "-Qual é que é o tom?" Nesse momento, alguns dos mais musicalmente dotados (pelo menos de acordo com as suas próprias cabeças, as quais seriam muito úteis para pregar pregos, mas não para a capacidade alargadamente designada por raciocínio) tentam adivinhar e não acertam. O avaliador retruca: "-Então vocês andam aí a tocar e não sabem nada?" É preciso ter bem presente que os "guitarristas" ou guitarreiros encetaram um aturado processo de formação com o cura de aldeia, indivíduo mais interessado em política e em desempenhar a árdua função de capelão da família aristocrática do burgo do que em realizar um efectivo trabalho com as comunidades locais. Essa "escola" permitiu aos "músicos" dominar uma panóplia de cerca de seis acordes, os quais repetem até à actualidade (e exaustão), passados cerca de 15 anos. Contudo, poderão argumentar que, dados os requisitos musicais do repertório interpretado, não sentiram necessidade de acrescentar os conteúdos transmitidos, por via oral, pelo padreca. É fascinante como indivíduos que acabaram o liceu há mais de 10 anos não consideram ridículo "interpretar" e "compor" ao melhor estilo Mafalda Veiga. Aqui abro uma excepção para João Pedro Pais que, apesar de ter terminado a Casa Pia na equipa de luta greco-romana e sem ter que recorrer a fraldas (tarefa duplamente difícil, visto que dois homens musculados e suados vestidos de maillot a agarrarem-se selvaticamente numa instituição que albergava práticas pedófilas homossexuais permanece a este autor uma actividade suscitadora de suspeitas) tem uma estatura física de um aluno de liceu. Valha aos "guitarristas" a surdez colectiva e congénita dos co-habitantes da vilória, que os apoiam no matter what. No fundo, o interprelador encontrava-se coberto de razão ao afirmar que eles não tocavam um caralho. Contudo, por várias madrugadas uma maldição abateu-se sobre a sua casa e, misteriosamente, o seu sino/campainha repicava fortemente como que a perguntar: "-Ó Pá...qual é que é o tom?"


maio 11, 2009

novembro 01, 2008

Cântico dos Cânticos, Capítulo 7

7:1 Quão formosos são os teus pés nas sandálias, ó filha de príncipe! Os contornos das tuas coxas são como jóias, obra das mãos de artista.   
7:2 O teu umbigo como uma taça redonda, a que não falta bebida; o teu ventre como montão de trigo, cercado de lírios.   
7:3 Os teus seios são como dois filhos gêmeos da gazela.   
7:4 O teu pescoço como a torre de marfim; os teus olhos como as piscinas de Hesbom, junto à porta de Bate-Rabim; o teu nariz é como torre do Líbano, que olha para Damasco.   
7:5 A tua cabeça sobre ti é como o monte Carmelo, e os cabelos da tua cabeça como a púrpura; o rei está preso pelas tuas tranças.   
7:6 Quão formosa, e quão aprazível és, ó amor em delícias!   
7:7 Essa tua estatura é semelhante à palmeira, e os teus seios aos cachos de uvas.   
7:8 Disse eu: Subirei à palmeira, pegarei em seus ramos; então sejam os teus seios como os cachos da vide, e o cheiro do teu fôlego como o das maçãs,   
7:9 e os teus beijos como o bom vinho para o meu amado, que se bebe suavemente, e se escoa pelos lábios e dentes.   
7:10 Eu sou do meu amado, e o seu amor é por mim.   
7:11 Vem, ó amado meu, saiamos ao campo, passemos as noites nas aldeias.   
7:12 Levantemo-nos de manhã para ir às vinhas, vejamos se florescem as vides, se estão abertas as suas flores, e se as romanzeiras já estão em flor; ali te darei o meu amor.   
7:13 As mandrágoras exalam perfume, e às nossas portas há toda sorte de excelentes frutos, novos e velhos; eu os guardei para ti, ó meu amado.

julho 08, 2008

Lista de Casamento

Este reconto encontra habitáculo numa terreola que se tem afirmado enquanto genuíno burrié no nariz do globo terrestre. Duas mulheres, claramente mãe e filha, entraram numa loja conhecida pelos seus mamarrachos de distintíssimo requinte, ao gosto das mais prestigiadas leitoras da Nova Gente pululantes em todo o Portugal rural. Interrogam a funcionária sobre a possibilidade de encetar uma lista de casamento nesse estabelecimento. À resposta afirmativa, explicam que se destina à irmã da adolescente presente, que se iria unir pelos nós de correr do santo matrimónio. Transcorridos alguns minutos na selecção de itens a integrar a lista, a funcionária (criaturinha obcecada pela respeitabilidade, dado que a remete, infalivelmente, para os estratos populacionais cuja dimensão dos sonhos se apresenta na razão inversa ao rendimento e ao QI) atirou a seguinte pergunta à jovem fêmea: "-E tu, não gostavas de te casar?". Pausa longa. A rapariga transmuta-se nesse momento, como se um espírito malino a possuísse ou as línguas de fogo pentecostais se apropriassem do aparelho fonador. "Et apparuerunt illis dispertitae linguae tamquam ignis, seditque supra singulos eorum; et repleti sunt omnes Spiritu Sancto et coeperunt loqui aliis linguis, prout Spiritus dabat eloqui illis." (Actus Apostolorum, 2: 3-4). Alterando a tessitura vocal, a núbil adolescente replica, de forma a enfatizar a sua candura: "-Eu quero é pichota! Eu quero é foder!". Seguiu-se um momento de silêncio, em que o êxtase contemplativo da funcionária se fixou e substanciou nas suas fuças muares. Todo o universo pequeno-burguês se desmoronou num ápice, como se as trombetas de Josué soassem às muralhas de Jericó. A rapariga expôs o interesse em ser penetrada nas entranhas repetida e ferozmente, como se a sua cona fosse o túnel do Rossio. É caso para dizer que nem um valente carregamento de Lauroderme (passe a referência publicitária) reduziria os efeitos da assadura resultante de tão arreigado desejo. Pelos vistos, a inocente adolescente queria ser mais montada que os póneis da Feira Popular. Por favor, não matem os sonhos da juventude! 


julho 02, 2008

Misterious Ways

A baptist preacher was completing a temperance sermon: with great expression he said:
"If I had all the beer in the world, I'd take it and throw it into the river."

With even greater emphasis, he said:
"And if I had all the wine in the world, I'd take it and throw it into the river."

And then, finally, he said:
"And if I had all the whiskey in the world, I'd take it and throw it into the river."

He sat down.

The song leader then stood very cautiously and announced with a pleasant smile:

"For our closing song, let us sing Hymn #518: "Shall We Gather at the River?". (composed by Robert Lowry, first published: Happy Voices, 1865, n.º 220)


junho 30, 2008

Frases I

Se Deus existisse, haveria de ser algo que se visse.

junho 25, 2008

Mihi irruma et te pedicabo

Um requesto frequente por parte de uma caterva de ávidos leitores tem sido textos que comportam três elementos: qualidade, religiosidade e locuções latinas. No que toca ao primeiro aspecto, os autores afirmam que, ao contrário de outros espaços, remetem, exclusivamente, para textos de qualidade superior ao próprio blog (o que, aparentemente, se traduz num manancial inesgotável de obras). Quanto à religiosidade, este fórum pretende publicitar uma perspectiva agnóstica, senão blasfema. Consequentemente, torna-se explicável  e verosímil a ausência de artigos desse teor (apesar da esfumada e rebuscada alusão à Opus Dei no último texto publicado). Realmente, os autores acusam o toque (linguagem esgrimística ou de Declaração Amigável) em relação às expressões latinas. Daí o devir do título do presente artigo, que, livremente vertido para língua portuguesa significa: faz-me um broche e eu enrabo-te. Ou, colocado de forma mais erudita: pratica sexo oral comigo, que eu retribuo com a introdução da minha verga pelo teu orifício anal acima. Tradução a meio-termo: faz-me um fellatio (a mais prazenteira locução latina), que eu rasgo-te o esfíncter à martelada. Expressão unissexo, que demostra a liberalidade de costumes, quer da Roma Antiga quer dos latinistas posteriores, a Igreja Católica. Neste caso em particular, os autores defendem o recurso a dois sexos diferentes e a uma distribuição específica de papéis nessa prática, reforçando a asserção náutica de que não atracam de popa. De forma a incluir textos de qualidade, de vincada edificação religiosa e abundantes em expressões latinas bíblicas, fica o elo para as primeiras edições dos Sermões de Padre António Vieira. Figura central na afirmação da dinastia de Bragança enquanto poder régio em Portugal e incansável defensor dos direitos das minorias brasileiras face à colonização. De tal forma que o presente autor, apesar de não dispôr de óculos de massa nem frequentar a ZDB (uma dolorosa declaração de interesses, tal como é requerida pelos mais conceituados órgãos de informação - Público, Diário de Notícias e Maria), assistiu ao filme de Manoel d'Oliveira sobre o prelado (Palavra e utopia, Madragoa Filmes, 2000). O traço que suscita maior preocupação é o conflito de cânones entre a apreciação individual do presente escrevinhador e a vox populi (olh'á expressão latina fresquinha!) concernente à obra do velho e rijo realizador. Para citar o próprio Vieira nas obras para as quais encaminhamos o estimado leitor: "A cegueira que cega cerrando os olhos, não é a maior cegueira; a que cega deixando os olhos abertos, essa é a mais cega de todas: e tal era a dos Escribas e Fariseus. Homens com os olhos abertos e cegos. Com olhos abertos, porque, como letrados, liam as Escrituras e entendiam os Profetas; e cegos, porque vendo cumpridas as profecias, não viam nem conheciam o profetizado".