Mostrar mensagens com a etiqueta Beleza. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Beleza. Mostrar todas as mensagens

novembro 09, 2008

My Sweet Lord

Arrepio-me sempre que assisto a isto...

agosto 14, 2008

Lost in Translation

Que a iliteracia é um dos principais factores de atraso de Portugal é um dado suficientemente discutido, graças ao apurado sentido de serviço cívico de Maria Filomena Mónica. Graças às fantásticas evoluções tecnológicas no campo educativo, será possível a todos os alunos da primária ter um computador para crianças. Para utilizar o jargão altamente técnico das Ciências da Educação, essa solução aparenta ser "porreira, pá". Contudo, para quê pôr as criancinhas a mexer num computador para putos, quando estas já se entendem com essas máquinas de forma mais profícua que a maioria dos crescidos e ensinam os paizinhos a ler o relevantíssimo A Bola ou a localizar pornografia no Google (passe a referência à marca)? Mistério. No fundo, seria equivalente a oferecer uma bicicleta com rodinhas a Eddy Merckx. Concerteza ficaria igualmente grato e desconcertado pela oferenda. E um computador chamado Magalhães é coisa que se apresente? Rodrigues, Santos ou Ferreira seriam designações muito mais "tugas". A título de curiosidade (e passe o ataque à magificientíssima governação dolcista-gabbanista de Portugal, ideologia na qual somos pioneiros), fica um "justo, honesto, coerente, imparcial" (Capitão Moura, Liga dos Últimos, RTP 2008) local da rede respeitante ao único, singular, exclusivo e original Magalhães. Como o texto indica, é um computador barato e "destinado a crianças de países em desenvolvimento". Ou seja, Portugal encontra-se na vanguarda tecnológica dos "países em desenvolvimento" e, ainda assim, manifesta a distinta lata de armar ao pingarelho. O Dr. Goebbels do actual governo está a desleixar-se ou a ingerir couratos como se o amanhã não existisse, acompanhados por umas "mines" e burriés nasais. Este alongado preâmbulo serve para introduzir o tema da iliteracia na vida quotidiana. Encontrava-se o presente autor a consumir uma chávena de lama quente ao balcão de um honrado estabelecimento comercial quando se deu a aparição de uma velhinha disforme com uma camisola na qual estava inscrita a palavra "Diva". Quando o presente diarista ouve essa expressão, logo a sua memória associativa remete para Maria Callas, Monica Vitti, Lauren Bacall ou Nuno Guerreiro. Iliteracia ao mais alto grau? A senhora tem uma Casa dos Espelhos como a saudosa Feira Popular? Nunca saberemos com absoluta certeza se era um problema de literacia ou oftalmologia. Contudo, pululam nas localidades portuguesas centenas de dísticos em camisolas que apenas podem ser considerados sinais da fina ironia e sentido de humor das pessoas que os usam. Ansiamos pelos resultados do programa de ensino do Inglês no Ensino Básico. Será verdadeiramente comovente assistir a Macbeth apresentado na língua original numa récita escolar em Fornos de Algodres.

«Os estudantes e as suas famílias reagiram simplesmente aos estímulos que lhes foram administrados. E esses estímulos passaram todos, até há pouco tempo, por um sistema de ensino em que a inclusão era mais importante do que a qualidade, e a auto-estima mais importante do que o esforço disciplinado. Em poucas áreas os equívocos foram maiores do que no ensino. Em Portugal, inquéritos à origem social dos estudantes e contas sobre o rendimento previsível dos licenciados levaram sistematicamente à ideia de que um diploma era um "privilégio": para os bem-aventurados, era uma forma de se reproduzirem; para os outros, um meio de ascenderem. Era de facto assim. Mas a partir daí imaginou-se que a questão era expandir esse "privilégio" administrativamente, da maneira mais barata e expedita. A facilidade passou a ser encarada como um princípio de justiça social. A mínima referência à qualidade levava a suspeitas de "elitismo".»

Rui Ramos, Público, 28 de Setembro de 2006

junho 01, 2008

Embaraços

Embaraços. Toda a gente os teve. Maiores, menores, frequentes, pontuais. Um aspecto transversal a todos os embaraços é o seu ângulo público. O embaraço só é possível mediante a presença do Outro. "L'enfer, c'est les autres" (Jean-Paul Sartre, Huit clos, Gallimard, 1947). Desse axioma estiveram bem conscientes personalidades como Nuno Guerreiro, aquando da propagação de um arroto monumental de sua autoria através do sistema de som do Coliseu dos Recreios, no preciso momento em que ia agradecer a atribuição da estatueta numa retardada gala dos Globos de Ouro. A próxima edição do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa incluirá um importante adenda. À definição de embaraço será adicionada a expressão "António Guterres". A transmissão em directo de um momento em que o engenheiro do Técnico e explicador de Matemática revela, a todo o país, o seu virtuosismo no campo do raciocínio numérico ficou tatuada indelevelmente nas memórias de alguns indivíduos maldosos (entre os quais se inclui o autor e, provavelmente, grande parte dos três leitores deste blog). Contudo, todos tropeçamos em embaraços na vida pública quotidiana. Malhamos violentamente num passeio, para gáudio dos espectadores inadvertidos, marramos com a cornadura (ou será corna dura?) num poste ou, pura e simplesmente, mijamo-nos nas calças enquanto esperamos que as nossas respectivas se despachem da Zara. Confesso estar a elaborar um esquema infalível para acompanhar mulheres ao longo dos seus intermináveis e labirínticos safaris pelas lojas, no qual participam rações de combate, dois Lexotan e um saco de fraldas para adultos incontinentes. Aliás, a geração a que pertence o autor concerteza irá sofrer mais e mais precocemente de problemas de próstata graças à proliferação de centros comerciais em território nacional. Obrigado, Eng. Belmiro! Outras situações caricatas podem ocorrer quando a aparelhagem se encontra em estado vegetativo durante um soundcheck até alguém soltar um violento palavrão, que fica a ressoar insidiosamente no éter do terreiro das festividades. Ou quando se faz um piano subito numa conversa de amigos e se ouve uma solitária e maviosa voz a proferir o polido comentário: "- Essa eu já comia!" no preciso momento em que o namorado de "Essa" atravessa a área de segurança do grupo. Escusado será dizer que o macho, inflado à conta de esteróides anabolizantes e de elevações realizadas num ginásio de Ronfe (o qual, de momento, se encontra a competir com o Instituto Gulbenkian de Ciência no campo da Microbiologia, dada a quantidade assinalável de estirpes de fungos e bactérias cultivadas no perímetro dos balneários, autênticas caixas de Petri no que toca à proliferação desses entes microscópicos), demonstra o seu orgulho por "andar a comer uma gaja tão boa". Isto na melhor das hipóteses, pois as coisas poderão azedar e promover a ocorrência de um incidente diplomático de dimensões avassaladoras, concluído pela reconfiguração da estrutura óssea da cara do autor do comentário a partir de métodos artesanais. Dos diversos embaraços possíveis, escolham, por gentileza, os que melhor vos servirem. Se entenderem que a vossa beleza interior poderia beneficiar com uma requalificação em profundidade do trombil, força. Pessoalmente, prefiro apresentar com orgulho as nódoas de urina nas minhas calças e contar histórias divertidas acerca destas, do género: "- Ainda bem que me pergunta sobre isso, estava aqui a falar consigo e, graças ao teor magnífico do seu perlado discurso, embeveci-me a tal ponto que urinei toda a minha farpela."

Algum embaraço denota a actual primeira-dama da República francesa nesta fotografia:


maio 30, 2008

Pipis, miudezas e outras javardices

Nesta secção apresento uma reflexão sobre o teor deste blog, em particular em relação ao seu título. A expressão "pipis" encerra em si mesma uma multitude de significados. Em primeira instância, define um petisco confeccionado a partir de algumas vísceras de certos animais (ou "miudezas"). Por favor, reparem na tentativa de auto-referencialidade deste blog, almejando um sistema comunicativo fechado, mediante a teoria postulada por Niklas Luhmann. Concomitantemente, identifica uma forma infantilóide de designar a vulva (ou, de acordo com a terminologia hoteleira, "área de lazer"). Por último, etiqueta um indivíduo de elevado gabarito elegantemente vestido. Nos autores deste espaço sobrepõem-se as três definições. Estes apreciam largamente as vitualhas designadas por pipis (na forma de petisco ou de órgão sexual feminino) e enquadram-se no perfil do elegante pipi. A atestar este último e evidente facto pode ser destacada a segunda posição ex-aequo no Concurso O espécime masculino mais atraente da localidade na qual residem (cuja população excede, em grande escala, o universo demográfico de Nova Iorque, São Paulo e Pequim somados). Será igualmente relevante frisar que o primeiro classificado nesse certame foi um bicho-de-conta arraçado de Rotweiller que, literalmente, se enrolou na taça aquando da sua recepção. O Otto, anteriormente mencionado bicho-de-conta, tomou o galardão de forma tão visceral que olvidou a perna que teria que alçar para urinar. Tendo em conta a morfologia do bicharoco, muitos embaraços se esperam. Passando às miudezas, a expressão contém elementos altamente dúbios. Por um lado, classifica uma plétora de vísceras animais utilizadas para consumo humano. Por outro, e em especial na região do Porto, é utilizada para classificar uma infindável série de objectos reconhecidos pela sua diminuta extensão. Os autores revelam a sua simpatia por ambas as definições, reforçadas pelo apreço a coisas de diminuta extensão (tais como berlindes, caricas, isqueiros ou o sentido democrático de Cavaco Silva). No que concerne à expressão "outras javardices", entendo que se explica a si própria. Lanço um repto aos nossos atentos leitores das periferias (Tibaldinho, Vidigueira ou Lisboa) para que apresentem um significado alternativo a essa locução. Talvez em algumas regiões remotas do globo "outras javardices" signifiquem "boa tarde" ou "por favor, não urine no empregado".