Como última homenagem, afixo aquele que me disseste, com a tua habitual bonomia e polidez, ser o teu favorito. Obrigado por tudo, Vasco, e hasta siempre...
(Frédéric Back, The Man Who Planted Trees, 1987)
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maio 05, 2009
agosto 19, 2008
Saloios
"Isto é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, factos e situações reais é pura coincidência."
Chamemos-lhe O Retiro do Pescador, mais conhecido por Joca. Sito na Praceta 28 de Maio de uma localidade que pareceria extraída da Quinta Dimensão, se apenas fosse um pouco mais normal. O Joca tem laborado oficiosamente enquanto uma espécie de Consulado Brasileiro para Alcoólicos. Na opinião altamente fundamentada e moderadamente xenófoba de Moita Flores, uma concentração de potenciais criminosos sanguinários que aguardam apenas a oportunidade para entrar na rotina homicida que mantinham no país de origem. Uma espécie de amok restituinte da primordialidade criminosa endémica à raça brasileira, equivalente à libertação do Urschrei. Todavia, o Joca era um espaço acolhedor há uns anos, em especial no que toca aos emolumentos necessários à prática dos matraquilhos. Infelizmente, a mesa assemelhava-se à actual Ossétia, dado o relevo e orografia do território após os recentes bombardeamentos do czar. Numa tarde acolhedora de Primavera, uns marmelos entraram no estabelecimento "hoteleiro" e requisitaram açúcar, de forma a cozerem e produzir marmelada. Este trocadilho com o significado duplo da expressão "marmelo" foi mesmo inevitável. Sempre que o presente autor ouve essa locução imagina um aglomerado de marmelos a passear e falar entre eles. A imagem é divertida. O trocadilho, não. Os marmelos entraram e inquiriram: "-Ó chefe, tem Gorilas de morango?". Ao que o proprietário retrucou imediatamente do alto das suas canadianas: "-Chefe? Chefe é pós saloios!". Nesse momento, os jovens clientes agarraram o seu varapau ferrado (que utilizam para varrer o terrado das feiras onde vendem as hortaliças de produção artesanal) e o barrete preto, retirando-se com pesar após tão grave insulto. Ó Joca, chamar saloios aos rapazes? Manca-te, caralho!

julho 23, 2008
Ser Macho
Nesta recôndita localidade onde os autores sobrevivem, subsiste uma ideia generalizada entre uma grande parte da população local masculina, a ideia que esta mesma localidade se situa no Ribatejo. Não adiantando pormenores, até porque os autores prezam muito a sua condição física e o seu bem-estar, podemos afiançar que tal não é verdade, sendo que a única característica em comum será a que serve de base a este textículo. Essa característica é a veia tauromática inflamada que tais personagens exibem com orgulho, seja em pequenas associações fechadas, quais gentlemen clubs de antanho, seja na forma quase pornográfica com que assistem a corridas de toiros na telvisão ou na forma quase religiosa em que organizam pequenas excursões para assistir às ditas corridas in loco.
Ressalvamos, desde já, que não queremos condenar a prática da tourada. Não o considerando um desporto saudável, também não temos nada contra o facto de, nesta singular manifestação cultural, haver uma besta de 500 kilos armada com um par de cornos que leve com 2 ou 3 estocadas no lombo. É do conhecimento dos autores que existem por aí alguns exemplos taurinos, talvez com menos kilogramas de peso e com maior diâmetro de cornadura, que também as mereceriam. Também não somos hipócritas ao ponto de defender os "direitos" dos "animais".
Como diria o Grande Lebowski: "What's this bullshit? I don't fuckin' care!"
Serve isto para dizer que, aquando de mais uma procissão às Capelas Etílicas cá do burgo, a televisão mostrava uma qualquer corrida de touros. Fomos prontamente avisados que "-Assim é que se vê que os cabrões do Norte é que mandam nesta merda toda, até nos touros".
Pensavam que era só no futebol? Tomem lá, Valentim Loureiro e Papa!!
(Pelos vistos, os defensores dos "animais" tinham interposto uma qualquer bem sucedida medida legal de forma a evitar a transmissão televisiva das corridas da RTP Lisboa e RTP qualquer-coisa-abaixo-do-Douro, tendo esbarrado nos tentáculos taurinos da RTP Norte! Olé!)
E assim sendo, os machos da terra viram desfilar, desde a cornetada inicial, uma série de senhores vestidos com calças justinhas e casaquinhos com muitos debroados e folhinhos e botinha de cabedal, que espetam ... É impressão minha ou isto parece-se demasiado com um qualquer fetiche homo-sado-zoo-masoquista?
Pior: Os verdadeiros machos da tourada, os forcados, (calcinhas justas, coletezinho e ui, o barretezinho) que, supostamente, encaram o bicho mano-a-touro, têm uma personagem de destaque que é o rabejador... Enough said.
E no meio disto tudo, surge Sónia Matias. Um raio de luz e de líbido no meio de tanta paneleirice. O momento de frisson e desconforto entre os velhos "aficionados" foi provocado por um dos jovens taberneiros, novo nestas lides e ainda não ultrapassando todas as fases da tertúlia taurmáquica secreta e que, ao ver a jovem cavaleira solta um sonoro : "TEM É UMA BOA BOCA PRÓ BROCHE". Desconhecendo a apetência oral da menina para a joalharia, aposto que seria concerteza um boa foda. Contudo, apercebi-me que os experimentados da affición não consideraram como séria a hipótese, preferindo dissertar sobre as capacidades de toureio e de matadora da dita cavaleira. A estes senhores, um conselho: Saiam do armário, não esperem pelo Carnaval para se vestirem de mulheres. Abracem-se quando a lide é bem feita e o ferro bem metido. De uma vez por todas, assumam que a tourada é um espectáculo rabeta.

Etiquetas:
Cultura,
Homosexualidade,
Joalharia,
Tauromaquia
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