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agosto 13, 2008

agosto 09, 2008

Diário de um lojista em Monção

Desengane-se o leitor expectante de uma croniqueta ao estilo das Novelas do Minho a martelo. Este autor é suficientemente cônscio das suas limitações por forma a não melindrar a memória de Camilo Castelo Branco ou dos restantes autores circunjazentes no Parnaso das nossas letras. Se, por um lado, a imitação é a mais alta forma de lisonja, o plágio é uma actividade punível por lei (de acordo com a Lei n.º 16/2008, de 1 de Abril, Artigo 211.º). Monção é uma das localidades portuguesas mais afamadas pela sua vitivinicultura. Terra do Alvarinho, das termas e das muralhas, encontra-se na região raiana do Minho e a escassos quilómetros de Espanha. O seu posicionamento estratégico foi belicamente valorizado nas diversas actividades de contacto cultural com os irmãos castelhanos que nos quiseram carinhosa e incestuosamente subjugar por diversas vezes. Contudo, é igualmente uma terra de emigração. A agricultura de subsistência deu lugar à semeadura de vivendas de elevado estilo arquitectónico e decorativo, erigidas pelos emigrantes e enramalhetadas pelas vertentes locais. Agosto é o mês do regresso. Os filhos pródigos metem-se no recém-adquirido bólide e vêm exibir o seu sucesso às bestas que cá ficaram. De tal forma guiam que a Prevenção Rodoviária, juntamente com o também emigrante Graciano Saga, produziu uma refinada e terna canção de modo a prevenir a sinistralidade nas estradas portuguesas. Encontrava-me ao balcão da mercearia, café e salão de jogos quando entrou um português de torna-viagem. Cedo quis demonstrar o seu sucesso financeiro, acenando-me com um maço de notas preso por um requintado alfinete de ouro, condizente com os anéis e fios que constituíam a sua blindagem. Reparando no espécime, notei uma tatuagem no braço direito. Surpresa total! Assemelhava-se a um retrato de Aníbal Cavaco Silva. Contudo, pareceu-me extremamente difícil lobrigar a personalidade retratada, dado os elevados pergaminhos estéticos do tatuador. Para mim, era o Cavaco e mais nada!!! Nem me tentem convencer do contrário. No mesmo fatídico dia, entrou uma senhora de provecta idade e pediu-me duas pilhas para o rádio. Quando indagada acerca da dimensão e voltagem das mesmas, respondeu: "- Daquelas que dão para ouvir o rancho, claro!" Ora, pois. Está claro?!
 

julho 20, 2008

Aveiro

Mais um prospecto turístico ao melhor estilo do Portugal dos Pequenitos. Aveiro, 2006. A Veneza portuguesa, de acordo com a abalizada opinião das mesmas alimárias jornalísticas que compararam a Quinta da Fonte a Beirute. Realmente, um espectáculo diário de rockets nas embaixadas é o equivalente a ciganos bêbedos (e, pelos vistos, vesgos) a disparar caçadeiras. O meu senhorio apresentava-se num imaculado uniforme de gala: boné, bigode, camisa aos quadrados e slips. De destacar que o boné, bigode e camisa aos quadrados parecem constituir os elementos básicos do fardamento de alcoólicos de meia-idade. Quanto aos slips, este autor não se pronuncia, mas presume que seja uma forma de representação de autoridade do género: "-Tenho uma piça tão grande que o melhor é nem usar calças de forma a incutir respeito ao próximo". O simpático senhor cedo desfiou o interminável e entediante rosário respeitante à senhora sua ex: "-Ela está a querer foder-me, não é?" empregando a entoação de um dos malandros lisboetas que servem à mesa nas tascas da Baixa. Jardineiro de profissão, incompatibilizámo-nos aquando da peregrina e brilhante ideia, exclusivamente proveniente daquele sensibilíssimo intelecto, de realizar uma queimada no jardim às seis da manhã de um dia de Julho. O que induz um cabrão do caralho, filho da puta e brochista a incendiar um molho de erva verde (!!!) àquelas matutinas horas? Gostaria de o perceber. E a quantidade de fumarada que a pseudo-fogueira deita? Parecia um concerto dos Grateful Dead no pico da carreira. Após estacionar a gôndola, sentei-me na Praça de S. Marcos a comer gelado, ocupação sobejamente apreciada pela população aveirense. Acerca dos excelentes ovos moles que se servem em Veneza (na Confeitaria Peixinho, passe a viva recomendação para a sua frequência), esgalharei outra croniqueta no mesmo tom desta merda e na altura devida. Realmente, uma esplanada, um bom gelado e um gondoleiro a cantar canções napolitanas tornam Aveiro um dos locais mais aprazíveis deste jardim à beira-mar plantado. Só temos pena de viver no esterco adjacente à área ajardinada.


julho 12, 2008

Homesick Truckie in the Algarve Dreams of Bacon

The sun bares its golden chest,
makes the palm trees flirt and sizzle.
Green sap simmers, resin fizzes
and he dreams of bacon.

Days basting on the silver sands
and he’s transformed, his lardy pallor
turns from raw prawn to copper god,
his eyes shine with the sweetness
of mangoes, sienna skinned women
wink with their hips, click castanet lips
and he dreams of bacon.

The sunsets are the colour of Sangria.
The petrol demons leave his lungs,
he breathes tangy ocean air,
feels the brine scour his veins
and he dreams of bacon.

He dreams of bacon;
squidged between white bread
so soft and moist it holds
his fingerprints like a plaster cast,
bacon, drenched in a pornography
of lewd ketchup and yellow fat.

He dreams of eating
crispy, streaky bacon butties
in Anne’s Motorway Café
as he watches the juggernauts
waddle by and fade into
a grim backlash of sour British rain.

Gaia Holmes (Dr James Graham’s Celestial Bed, Comma Press, 2006)