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maio 24, 2009

maio 11, 2009

agosto 21, 2008

Hamburgers e Propriedade Intelectual

Numa deslocação aos subúrbios lisboetas, o autor deparou com um verdadeiro achado gastronómico. No centro comercial Odivelas Parque, localizado no vértice entre desprestigiados antros de escumalha suburbana e quejandos indivíduos, existe uma praça de alimentação. O narrador arenga contra a iniciativa da criação de Praças da Alimentação nos diversos centros comerciais, visto estas serem uma infame cópia das Praças da Restauração dispersas pelo território nacional. Nesse círculo altamente vicioso, emergiu um estabelecimento que prendeu a atenção ao presente escriba. O h3 (passe a referência publicitária) concentra-se maioritariamente na comercialização de carne picada em bloco, vulgo hamburgers. Contudo, não é qualquer estirpe de hamburger lá comercializada. De acordo com a morada cibernética do sobredito centro, este local disponibiliza o hamburger na forma "gourmet, de chefe ou de autor". Já foi anteriormente referido o disparate da etiqueta gourmet e toda a merda que lhe está adstrita na mitificação de uma classe média imbecil com pretensões a figurar na Caras. Estamos, obviamente, a referirmo-nos a pessoas que se encontram dispostas a ingerir as combinações mais bizarras de substâncias claramente consequentes de experiências genéticas que deram para o torto. E pior, gabam-se de consumir ingredientes com nomes de tal forma apanascados que este autor até tem vergonha de os pronunciar em público. O cronista acredita mesmo que até a paneleiragem do Príncipe Real tem pruridos em utilizar esse tipo de linguagem. Serve isto para focar que o ponto mais distante na cultura gourmet a que chegou este escriturário foi o famoso "frango tipo leitão", porque pensava tratar-se de uma feliz aplicação da engenharia genética tuga, que já produziu, com grande sucesso e para enorme agrado dos europeus, um cherne barrosão. Mas uma dúvida ressalta: o que será um hamburger de autor? Um chefe (não saloio) irá à Sociedade Portuguesa de Autores registar a sua obra? E em que suporte ficará registada? Como se tratam os direitos conexos nessa ocorrência? Aproveitando a vista panorâmica para uma encosta povoada de vivendas clandestinas da praça de alimentação do Odivelas Parque, o autor encontra-se a desenvolver um hamburger que almeje emparelhar com as sinfonias do conterrâneo hamburguês Johannes Brahms. Esperemos que não seja um hamburger de homenagem ao Rei Balduíno IV de Jerusalém, confeccionado com carne de leproso.


agosto 15, 2008

In a cafe

A guy sits down in a Cafe and asks for the hot chili. The waitress says, "The guy next to you got the last bowl."

He looks over and sees that the guy's finished his meal, but the chili bowl is still full. He says, "Are you going to eat that?"

The other guy says, "No. Help yourself." 

He takes it and starts to eat it. When he gets about half way down, his fork hits something. He looks down sees a dead mouse in it, and he pukes! the chili back into the bowl. 

The other guy says, "That's about as far as I got, too."

agosto 10, 2008

julho 20, 2008

Aveiro

Mais um prospecto turístico ao melhor estilo do Portugal dos Pequenitos. Aveiro, 2006. A Veneza portuguesa, de acordo com a abalizada opinião das mesmas alimárias jornalísticas que compararam a Quinta da Fonte a Beirute. Realmente, um espectáculo diário de rockets nas embaixadas é o equivalente a ciganos bêbedos (e, pelos vistos, vesgos) a disparar caçadeiras. O meu senhorio apresentava-se num imaculado uniforme de gala: boné, bigode, camisa aos quadrados e slips. De destacar que o boné, bigode e camisa aos quadrados parecem constituir os elementos básicos do fardamento de alcoólicos de meia-idade. Quanto aos slips, este autor não se pronuncia, mas presume que seja uma forma de representação de autoridade do género: "-Tenho uma piça tão grande que o melhor é nem usar calças de forma a incutir respeito ao próximo". O simpático senhor cedo desfiou o interminável e entediante rosário respeitante à senhora sua ex: "-Ela está a querer foder-me, não é?" empregando a entoação de um dos malandros lisboetas que servem à mesa nas tascas da Baixa. Jardineiro de profissão, incompatibilizámo-nos aquando da peregrina e brilhante ideia, exclusivamente proveniente daquele sensibilíssimo intelecto, de realizar uma queimada no jardim às seis da manhã de um dia de Julho. O que induz um cabrão do caralho, filho da puta e brochista a incendiar um molho de erva verde (!!!) àquelas matutinas horas? Gostaria de o perceber. E a quantidade de fumarada que a pseudo-fogueira deita? Parecia um concerto dos Grateful Dead no pico da carreira. Após estacionar a gôndola, sentei-me na Praça de S. Marcos a comer gelado, ocupação sobejamente apreciada pela população aveirense. Acerca dos excelentes ovos moles que se servem em Veneza (na Confeitaria Peixinho, passe a viva recomendação para a sua frequência), esgalharei outra croniqueta no mesmo tom desta merda e na altura devida. Realmente, uma esplanada, um bom gelado e um gondoleiro a cantar canções napolitanas tornam Aveiro um dos locais mais aprazíveis deste jardim à beira-mar plantado. Só temos pena de viver no esterco adjacente à área ajardinada.


julho 12, 2008

Homesick Truckie in the Algarve Dreams of Bacon

The sun bares its golden chest,
makes the palm trees flirt and sizzle.
Green sap simmers, resin fizzes
and he dreams of bacon.

Days basting on the silver sands
and he’s transformed, his lardy pallor
turns from raw prawn to copper god,
his eyes shine with the sweetness
of mangoes, sienna skinned women
wink with their hips, click castanet lips
and he dreams of bacon.

The sunsets are the colour of Sangria.
The petrol demons leave his lungs,
he breathes tangy ocean air,
feels the brine scour his veins
and he dreams of bacon.

He dreams of bacon;
squidged between white bread
so soft and moist it holds
his fingerprints like a plaster cast,
bacon, drenched in a pornography
of lewd ketchup and yellow fat.

He dreams of eating
crispy, streaky bacon butties
in Anne’s Motorway Café
as he watches the juggernauts
waddle by and fade into
a grim backlash of sour British rain.

Gaia Holmes (Dr James Graham’s Celestial Bed, Comma Press, 2006)

junho 24, 2008

Feira Popular

Descendo a ladeira do liceu, deparávamo-nos com os jardins da Biblioteca Nacional, onde se encontravam alguns espécimes no atarefado lavor de esgalhar fortemente o pessegueiro à passagem de liceais dotadas com traseiros compactos ou bugalhudos e entumecidos seios. Tarefa árdua, em especial durante a canícula do Verão, quando a exposição solar e a fricção poderiam ocasionar queimaduras de segundo grau no caralho e incómodos tufos de pêlo nas mãos. À direita, uma enigmática moradia, pertença de uma agremiação de indivíduos tementes a Deus e amantes do cilício que ostenta um nome latino (o presente escriba confessa nunca ter entrevisto João Bosco Mota Amaral nas imediações, apesar desse facto implicar uma falta tremenda na sua formação). Chegados à feira e após um assédio por parte dos funcionários dos espaços gastronómicos, manifestação única de um marketing agressivo, paparoca na mesa. Chegam as batatas fritas aglomeradas com SuperCola 3 e a argamassa comercializada com o epíteto de "arroz", faustosamente servidas pelo Seboso e apresentadas como iguaria de luxo num restaurante conceituado. Obviamente, deram-se alguns casos embaraçosos de intoxicações alimentares, distintas umas das outras pela coloração e consistência do gregório, numa espécie de arco-íris de vómito. Como se pode facilmente depreender, o Seboso era um empregado cuja higiene pessoal se converteu num paradigma para a comunidade comensal. Impermeabilizado por uma pasta de gordura, o seu cabelo (ou capacete) destacava-se na multidão na forma de manifestos e ostensivos orgulho e rigidez. Após a opípara refeição, os matrecos. Utilizando bolas de forma cúbica (um verdadeiro prodígio da geometria que merece o estudo de cientistas que investigam a quadratura do círculo, encontrando-se obviamente excluídos os responsáveis pelo programa homónimo transmitido pela SIC), ocupávamos o tempo de forma construtiva e vocabularmente enriquecedora. Ocasionalmente, o espaço era frequentado por cavalheiros de alto gabarito da região demarcada das Galinheiras, que nos espoliavam dos trocos enquanto atiravam o afectuoso e rebuçado de meiguice "-Eu chino-te, cabrão!". Uma naifa refulgia no ar em reflexos de sardinha assada de quando em vez, intimidando os circunstantes e glorificando os meliantes. Actualmente, liceu e feira são pilhas de entulho de memórias e tijolo...E agora, Lisboa?

junho 14, 2008

Velhos Rijos

A expressão "velho rijo" utiliza-se para denominar um indivíduo de idade avançada em boa forma física. Quando ouço essas palavras recordo-me imediatamente de Kirk Douglas ou Clint Eastwood. No que toca à carne de determinados animais, configura-se um correlação interessante entre idade e dureza. Com a presente alusão, os autores afirmam que não aconselham o canibalismo ao estilo "Família Feliz", mas alertam para alterações ao tempo de cozedura aquando do estufado de indivíduos mais idosos, acompanhado da consequente perda de nutrientes. Velho Rijo (um verdadeiro pleonasmo culinário) é a locução mais indicada para caracterizar uma distinta personalidade interveniente no percurso deste autor. Pessoa de provecta e sábia idade, capaz das mais intempestivas e inusitadas expressões, obsessivamente relacionadas com sexo. Enquanto enxames de crianças perambulavam em direcção à escola, a individualidade em questão sustinha-nos e efectuava perguntas ou comentários verdadeiramente desconcertantes. O espectro expressivo do indivíduo era sumptuoso, iniciado pelo "-Tens comido muitas gajas?" (manifestamente dirigido a alunos de 10, 11 anos), esticando-se ao diamantino "-Dói-me o braço. Ontem, apertei muito com ele."A imagem de um encanecido idoso pendurado no santo varão a contorcer-se em esgares de senil ventura. Que melhor imagética pode ser promovida para a infância? Amorável criatura, desenvolveu uma relação com a mulher de tal forma sensível que, aquando da sua morte, comentava: "-A mim faz-me falta, mas o pior é para ele" enquanto mirava embevecido a braguilha aberta de onde espreitava um cogumelo careca, sentinela atenta ao mundo circunvizinho. Simultaneamente, esboçava abertos sorrisos ao transitar uma fêmea de exacerbado peito e reduzida dentição. Velho rijo, como poucos. Uma questão que se me coloca relaciona-se com a idade e a devassidão. Pelos vistos, existe uma relação de proporcionalidade directa entre as duas grandezas. Apelo, encarecidamente, a possíveis leitores cuja área de interesses se relacione com esta temática. Quem sabe, o próximo Nobel virá para Portugal. O autor espera, com sinceridade, que Kirk Douglas ou Clint Eastwood pratiquem um comportamento do estilo, o que só lhes conferiria um magnífico respeito. Com boné de fazenda e mão no bolso das calças roto a partir do interior, obviamente.

maio 31, 2008

Palmas e Bacalhau

A recente estreia de um filme centrado na apresentação de modos de excitação sexual palmar promovidos numa cidade inglesa relembrou-me uma das mais intrigantes receitas da culinária portuguesa. Este texto não revela nenhum tipo de obsessão cultivada pelo autor em torno do universo da gastronomia, mas uma prossecução dos conselhos publicados por Mestre Camilo em Coração, Cabeça e Estômago (Lisboa, Parceria de António Maria Pereira, 1862). A receita que nos irá ocupar denomina-se "Pívias de Bacalhau":

Ingredientes: 

2 postas de lombo de bacalhau 
1 cebola média
azeite
vinagre
agrião 
azeitonas 

Preparação: Desfiar duas postas do lombo do bacalhau devidamente demolhadas, lavar bem com água fria e estender numa travessa. Cortar em palitos uma cebola média. Misturar e regar com azeite e umas pingas de vinagre. Servir frio acompanhado de salada de agrião, broa e azeitonas.

(retirada de www.saborosas.com)


Primeira questão: em qual dos passos se encontram semelhanças com algum acto de teor masturbatório? Ou será esse o segredo de revelação interdita? Atenhamo-nos com algumas meditações. Primeira, como é que se processará a masturbação num peixe? Se Deus Nosso Senhor, na sua infinita graça e bondade, quisesse que os bacalhaus se masturbassem, não lhes teria dado barbatanas. Aliás, duvido sinceramente que qualquer peixe consiga friccionar o gonopódio de modo a prolongar a satisfação até ao êxtase. Segundo ponto: recorrendo a uma perspectiva ontológica, um besugo terá a capacidade de "escamar o besugo"? Terceira questão: Quem e como se publicita a existência desse petisco em qualquer espaço gastronómico? Será que o papelinho "Há pívias" suscitará a atenção de outro tipo de clientela (ou target, em marketinguês), posteriomente desiludida com o desenrolar da sua fantasia e a frustração das expectativas? Mais grave, quem, no seu perfeito juízo profere a alto e bom som, num local público: "A minha especialidade são as pívias"? Presumo que dois perfis se enquadrem nessa resposta: mulheres ingénuas ou prostitutas experientes. Como as primeiras não existem...

maio 30, 2008

Pipis, miudezas e outras javardices

Nesta secção apresento uma reflexão sobre o teor deste blog, em particular em relação ao seu título. A expressão "pipis" encerra em si mesma uma multitude de significados. Em primeira instância, define um petisco confeccionado a partir de algumas vísceras de certos animais (ou "miudezas"). Por favor, reparem na tentativa de auto-referencialidade deste blog, almejando um sistema comunicativo fechado, mediante a teoria postulada por Niklas Luhmann. Concomitantemente, identifica uma forma infantilóide de designar a vulva (ou, de acordo com a terminologia hoteleira, "área de lazer"). Por último, etiqueta um indivíduo de elevado gabarito elegantemente vestido. Nos autores deste espaço sobrepõem-se as três definições. Estes apreciam largamente as vitualhas designadas por pipis (na forma de petisco ou de órgão sexual feminino) e enquadram-se no perfil do elegante pipi. A atestar este último e evidente facto pode ser destacada a segunda posição ex-aequo no Concurso O espécime masculino mais atraente da localidade na qual residem (cuja população excede, em grande escala, o universo demográfico de Nova Iorque, São Paulo e Pequim somados). Será igualmente relevante frisar que o primeiro classificado nesse certame foi um bicho-de-conta arraçado de Rotweiller que, literalmente, se enrolou na taça aquando da sua recepção. O Otto, anteriormente mencionado bicho-de-conta, tomou o galardão de forma tão visceral que olvidou a perna que teria que alçar para urinar. Tendo em conta a morfologia do bicharoco, muitos embaraços se esperam. Passando às miudezas, a expressão contém elementos altamente dúbios. Por um lado, classifica uma plétora de vísceras animais utilizadas para consumo humano. Por outro, e em especial na região do Porto, é utilizada para classificar uma infindável série de objectos reconhecidos pela sua diminuta extensão. Os autores revelam a sua simpatia por ambas as definições, reforçadas pelo apreço a coisas de diminuta extensão (tais como berlindes, caricas, isqueiros ou o sentido democrático de Cavaco Silva). No que concerne à expressão "outras javardices", entendo que se explica a si própria. Lanço um repto aos nossos atentos leitores das periferias (Tibaldinho, Vidigueira ou Lisboa) para que apresentem um significado alternativo a essa locução. Talvez em algumas regiões remotas do globo "outras javardices" signifiquem "boa tarde" ou "por favor, não urine no empregado".


maio 28, 2008

Baba de Camelo

Caros leitores,

Este espaço pretende afirmar-se enquanto pessoa colectiva de utilidade pública (de acordo com o n.º 1 do art.º 1º do Decreto-Lei 460/77, de 7 de Novembro, alterado pelo Decreto-Lei 391/2007, de 13 de Dezembro). Na esteira desse estatuto, vimos por este meio divulgar o património gastronómico através da publicação de diversas receitas. Esperemos que sejam do vosso agrado. 

Baba de camelo

 Ingredientes:

  • 1 lata de leite condensado
  • 6 ovos
Confecção:

Coze-se a lata de leite condensado na panela de pressão durante ± uma hora. Depois do leite condensado estar frio, bate-se com as gemas dos ovos. Depois de bem batido, envolve-se com a colher de pau as claras dos ovos, que deverão ter sido batidas previamente em castelo. Por cima como cobertura, pode-se pôr amêndoa ralada ou bolacha ralada. Leva-se ao frigorífico, e depois de bem frio, está pronto a servir.

(Retirada de http://www.docesecompanhia.com)


 

Receita alternativa

Ingredientes:

  • 4 marmanjos
  • 1 matulona

Confecção:

Prepare os quatro marmanjos fixando um vaso para recolha de resina no maxilar inferior dos mesmos. Aproxime-os de um local próximo da matulona, de forma a estabelecer contacto ocular de proximidade. Aguarde que os marmanjos fixem o olhar no decote desta durante cerca de 5 minutos. Após esse esforço preliminar, dirija a atenção do quarteto para as ancas e pernas da matulona durante 15 minutos. Para melhor eficácia, esta deve ser previamente untada com óleo de bebé e embrulhada num vestido curto e vaporoso, o qual destacará os seios volumosos do espécime em questão. A realização de gestos lúbricos por parte da supra-referida matulona tem demonstrado grandes vantagens na futura recolha da baba de camelo. Cuidados a ter: não aproximar demasiado os marmanjos à matulona, de forma a anular a possível tentação destes em tentar resolver o assunto por mão própria e num local fechado, dificultando o acesso e posterior recolha da saliva. Por outro lado, deve ser evitado qualquer tipo de punheta no qual o marmanjo trinque o lábio inferior com felicidade solipsista, pois o objectivo é confeccionar uma baba de camelo e não um cheesecake de framboesa. Enjoy!